Apoio do Estado alavanca produção de comunidade rural

Noiva do Cordeiro
Noiva do Cordeiro

Exemplo de organização e empreendedorismo, Noiva do Cordeiro é beneficiária do crédito fundiário rural

Exemplo de organização e empreendedorismo, a comunidade Noiva do Cordeiro, localizada na zona rural de Belo Vale, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, é beneficiária do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Um grupo de 13 famílias da Associação Grupamento Noiva do Cordeiro recebeu cerca de R$ 1,3 milhão para aquisição e desenvolvimento de uma área rural de 41,5 hectares em Piedade dos Gerais, vizinha à comunidade rural. O acesso à terra foi muito importante para que a associação alavancasse a produção.

As principais atividades exercidas são a horticultura e plantação de mexerica pocan. Os produtos são comercializados na Ceasa. “Antes de ganhar a terra produzíamos em propriedade de fazendeiros da região e era muito difícil. Agora podemos plantar, colher e os produtos são para a comunidade, seja para sustento próprio ou com o intuito de comercialização. Isso mudou nossas vidas”, disse a agricultora familiar Rosalee Fernandes Pereira, uma das lideranças de Noiva do Cordeiro.

Papel da Seda
Para que a comunidade Noiva do Cordeiro tenha acesso às políticas públicas o papel do Governo de Minas Gerais é fundamental. É de responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda) aprovar o financiamento e depois fiscalizar a aplicação dos recursos, por meio da Superintendência de Crédito Fundiário (Sucref).

No momento, a Seda acompanhada a execução de cerca de R$ 430 mil de recursos a fundo perdidos, em Subprojetos de Investimentos Comunitários (SIC). Os recursos são usados para aquisição de máquinas e equipamentos, contratação de serviços de assistência técnica, entre outros projetos. Os recursos para SIC integra o financiamento de R$ 1,3 milhão via PNCF.

“A forma como que a comunidade Noiva do Cordeiro trabalha deve servir de exemplo para o fortalecimento da agricultura familiar. Fico feliz em saber que parte desse sucesso se deve ao esforço do Governo de Minas Gerais em apoiar os projetos”, disse o secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda), Professor Neivaldo, em visita à comunidade rural, realizada na tarde de segunda-feira (12).

Origem
Atualmente cerca de 350 pessoas moram na Noiva do Cordeiro. Muitos moradores têm relação de parentesco e são descendentes de dona Delina Fernandes, de 69 anos, apelidada de “Grande Mãe”. Muitos dos homens da comunidade costumam trabalhar na capital ou em mineradoras na região. Por isso, passam a semana toda fora. Só retornam no sábado e no domingo para visitar as famílias. Quem fica à frente da fazenda são as mulheres. Elas não se intimidam. Criaram uma espécie de cooperativa para organizar a vida na comunidade e tomar as decisões juntas. São elas que realizam todas as tarefas, de capinar o mato a cortar lenha.

A vocação feminista de Noiva do Cordeiro está relacionada à sua origem. O agrupamento surgiu no início da década de 1890, quando Maria Senhorinha recusou um casamento arranjado e fugiu com Chico Fernandez, de Roças Novas, outro vilarejo da região. A união deles repercutiu mal. Eles foram excomungados pela Igreja, e isso os forçou a viver isolados. Assim construíram o casarão de Noiva do Cordeiro. Dona Delina, matriarca da comunidade, é neta de Maria Senhorinha. A fazenda ficou conhecida por acolher quem chegava. O modo de vida da comunidade virou tema de vários documentários, dando mais visibilidade ao trabalho do grupo.