OPINIÃO: Ele/Ela Que Surge Naquela Esquina …

Vanessa

Integrar a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Minas compondo a Diretoria de Convênios enquanto Socióloga atuante na área ambiental desde 2009 é, além de um desafio, um prazer ao perceber que as vozes do Campo são atendidas através dos Convênios. A seleção das entidades ocorreu por meio de Editais de Chamamento Público e por indicação por Emendas Parlamentares. A diretoria de Convênios integra a Superintendência de Planejamento e Gestão de Finanças.

Um dos nossos pilares é o fortalecimento da Agricultura Familiar setor responsável por 67% da produção nacional de feijão, 97% do fumo, 84% da mandioca, 31% do arroz, 49% do milho, 52% do leite, 59% de suínos, 40% de aves e ovos, 25% do café, e 32% da soja. Desta forma a agricultura familiar ocupa 30,5% da área total dos estabelecimentos rurais e produz 38% do Valor Bruto da Produção (VBP) nacional contemplando 77% do total de pessoas que trabalham na agricultura. O Governo de Minas Gerais compreende através dos dados censitários que a agricultura familiar é um meio eficiente de reduzir a migração do campo para a cidade, pois absorve a mão-de-obra e gera renda para os pequenos e médios agricultores do Estado.

Em Minas Gerais 14,7% da população é rural contabilizando 2,9 milhões de cidadãos, onde apenas 19,6% dos empregos são formais e 9,5% do PIB do Estado são provenientes da área Rural. O fortalecimento da Agricultura familiar também ocorre através do abastecimento alimentar primando pela qualidade da alimentação.

Desta forma a SEDA atua em função de demandas estabelecidas pelos agricultores familiares e suas organizações estabelecendo compromissos negociados, obtendo apoio e visando fomentar os processos autenticamente participativos e descentralizados; viabiliza a produção, industrialização e a comercialização de produtos gerados na agricultura familiar mediante o acesso ao crédito, pesquisas, novas tecnologias, assistência técnica e extensão rural, profissionalização etc, possibilita a implantação, ampliação, modernização e racionalização da infraestrutura produtiva e social no meio rural; agiliza os processos de trabalho, para que os benefícios do Programa sejam rapidamente apropriados pelos agricultores familiares e suas organizações; busca a participação dos agricultores familiares e suas organizações em colegiados, assegurando-lhes o protagonismo nas iniciativas de Programas que são atendidos tais como o PRONAF, promove parcerias entre os poderes públicos e o setor privado para o desenvolvimento das ações previstas; estimula fortalecendo experiências de desenvolvimento nas ações de educação, formação, pesquisa, produção, etc., executadas pelos agricultores familiares e suas organizações.

Portanto, o que nos norteia é acima de tudo garantir aos agricultores familiares à conquista da cidadania, reconhecimento e fortalecimento de suas identidades no campo ao propiciar o desenvolvimento de suas atividades profissionais visando seus lucros e o desenvolvimento econômico agrário do Estado, trocando em miúdos garantir aos agricultores acessibilidade e aquisição de bens de consumo materiais e fortalecimento de atividades e acesso a bens imateriais, atividades culturais.

No primeiro dia de trabalho tive a honra enquanto cidadã de assistir o governador Fernando Pimentel assinar o Termo de Assentamento de pequenos agricultores em terras adquiridas pelo Estado no auditório do Palácio Tiradentes lotado d’aquela gente humilde “eu muito bem vindo de trem de algum lugar” observei em silêncio todas as suas estórias de vida, sofrimentos, alegrias, muitos sentados no chão com suas bandeiras e enxadas, é a luta que se vê na pele. Confesso, me emocionei e aplaudi de pé, talvez em algum dia imaginasse vivenciar e assistir um momento histórico como este.

A Reforma Agrária é um tema polêmico e necessário de se discutir e apoiar. É antes de tudo uma reforma social, antropológica e necessária em tempos de turbilhões e reviravoltas no nosso cenário social e político. Acredito que tenho muito a contribuir nas ações do Estado no desenvolvimento agrário consciente, sustentável e promissor.  Enquanto analista da Diretoria de Convênios atuamos em equipe apoiando e informando os procedimentos a serem tomados a respeito da elaboração de convênios, prestação de contas. Desta forma indiretamente contribuímos pensando, formulando e executamos apoiando os pequenos e médios agricultores, assistindo toda essa gente, afinal, finda tempestade o sol sempre nascerá.

 

É bem mais que uma menina

Benedita é sua alcunha

E da muda não tem testemunha.

(Benedita – Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo)

 

Vanessa Lima Duarte – Assessora Técnica da Diretoria e Convênios