OPINIÃO: Valorizar a agricultura familiar agroecológica é dizer não aos agrotóxicos

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Todos nós, cotidianamente, ouvimos falar sobre o problema que os agrotóxicos (ou venenos) podem causar para a saúde das pessoas, porém o prejuízo ao meio ambiente ainda é pouco explorado na grande parte dos artigos que falam sobre o tema. Em 2015, uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) afirma que o consumo de agrotóxicos/ano por brasileiro é em média de 7,5 litros, mas a quantidade de veneno que vai para as matas, rios e florestas são bem maiores do que pensamos.

Brasil e Estados Unidos atualmente lideram o uso de veneno na agricultura. Porém enquanto o mercado mundial teve um acréscimo de 93% no consumo de agrotóxicos, o mercado agropecuário brasileiro teve um crescimento de 190%. Este valor representou, no início da década, uma marca de 853 milhões de litros, grande parte nas lavouras. Tendo alimentos como pimentão, morango e pepino como campeões em contaminação.

A contaminação do lençol freático causada pela degradação química traz efeitos abomináveis para o clima e reservas de água. Essa emissão de poluentes causada pelo uso de agrotóxicos contamina o ar e todo o entorno. Essas plumas de contaminantes envenenam a água, tornando-a inapta para dessedentação animal e consumo humano.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) ao longo dos últimos anos vem pautando a redução do uso de agrotóxicos na agricultura. Os desafios ainda são grandes para tentar reduzir o uso de veneno no campo brasileiro. Enquanto o Governo Federal sanciona a lei 13.301/16 que autoriza a pulverização aérea nas cidades, abrindo possibilidades de tornar rotineiro o uso de agrotóxicos na agricultura, em Minas Gerais, o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA-MG), Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRAF-MG) e diversas organizações da sociedade civil buscam fortalecer iniciativas para a redução do uso do veneno na produção de alimentos, bem como fomentar os benefícios da alimentação saudável. Lutar contra a indústria da morte, que produz todos os anos milhões de litros de veneno para a agricultura, é também responsabilidade de quem compra e consome os alimentos.

É possível encontrar alimentos agroecológicos produzidos pela agricultura familiar, urbana e periurbana em todo estado. As feiras agroecológicas aumentam a cada dia a variedade de alimentos orgânicos, com certificação de produtos de origem vegetal sem agrotóxico (SAT) ou com pouco uso de agrotóxicos, oferecida aos consumidores. Os mercados institucionais, como Política de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), tem sido grandes incentivadores da produção de alimentos orgânicos, valorizando os produtos da agricultura familiar.

O dia 11 de janeiro, Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, nos convida não apenas para a discussão sobre o controle do uso, mas para uma reflexão de como este quadro social pode ser mudado e como a agricultura familiar agroecológica pode ser fortalecida. Parafraseando a poesia contemporânea: que sorrisos saudáveis alimentem boas práticas alimentares e bons pensamentos.

Leonardo Koury Martins – Superintendente de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário.